Show me Rio» apresenta o verdadeiro Rio de Janeiro
Show me Rio» é a primeira obra de um projecto que pretende mostrar as cidades por quem as vive. Ao contrário de vários livros de viagem, aqui não se procura as fotos do cartão postal, mas simplesmente busca-se o quotidiano daspessoas, no caso concreto dos «cariocas», da elite, como Chico Buarque e Maitê Proença, por exemplo, ao denominado «povão». Um livro que é, antes de tudo, uma obra de arte. Rita Sousa Tavares escreveu e José Pedro Monteiro e Márcio Mercante fotografaram. A edição é do Café Pessoa. Ler mais

«Show me Rio» não é apenas um guia do Rio de Janeiro, cidade que vai acolher a partir de segunda-feira as Jornadas Mundiais da Juventude, o Mundial
de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. É verdade que também há os habitais «Onde Comer», «Onde Dormir», «O que ver»… Mas, desta vez,
esses locais são dados pelos próprios moradores da cidade. E isso faz toda a diferença, já que conhecemos os segredos da Cidade Maravilhosa! Mas há
também um DVD, como refere a autora: «Quem lê o livro e depois vê o documentário é como se mergulhasse dentro do livro, como se os seus
protagonistas ganhassem vida.» Ou seja, estamos perante um projecto diferente, com imagens e textos únicos de uma cidade que renasce depois do seu
esplendor nas décadas de 50, 60 e 70.
Como surgiu a ideia do «Show me…»?
Surgiu a par de várias outras ideias editoriais que tenho em mente. O objectivo foi o de criar um conteúdo que revele as cidades numa nova abordagem. No
fundo, a ideia de nos deixar-mos guiar por quem vive e goza as cidades no dia a dia, sem ter a preocupação de não falhar todos os cartões postais.
Tudo isto parte da convicção de que as cidades ganham muito em ser conhecidas através das suas pessoas, das suas gentes. O Rio que este livro e
documentário que o acompanha mostram é um Rio de Janeiro muito realista e diversificado. Cada um dos meus entrevistados mostrou-me os seus
recantos preferidos e falou-me da percepção e relação que tem com a cidade.
Porque decidiu começar com o Rio de Janeiro?
Por razões estratégicas. Obviamente que o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos vão potenciar o turismo e virar os olhos de muita gente para o Rio de
Janeiro, mas também razões sentimentais. Queria que a primeira cidade abordada neste projecto fosse uma cidade estrangeira, pela a qual tivesse uma
verdadeira paixão.
Já conhecia a cidade? O que recorda dessa primeira vez?
Sim, já conhecia, embora não estivesse entre as principais cidades que conhecia melhor. A primeira memória que tenho do Rio é de ter acordado, depois
de uma noite em viagem, num quarto virado para a Vieira Souto, ter aberto a janela e ter implodido por dentro em alegria.
Foi uma sensação indiscritível, como se toda a felicidade do mundo me entrasse de repente pelos olhos. A luz, as montanhas, o mar, os sons, o calor, o
cheiro do Rio estava tudo concentrado naquela imagem. Nunca mais me esqueço, tinha 20 anos.
Ao escrever este livro descobriu um novo Rio?
Enriqueci muito o conhecimento e experiência que tinha do Rio, descobri novos afluentes deste rio, infiltrados em vários lugares e pessoas, um Rio ainda
mais verdadeiro e descontraído.  
Qual foi o critério de escolha dos protagonistas para estarem no livro?
Serem verdadeiros cariocas. E isso não significa necessariamente terem nascido no Rio, mas serem apaixonados pela cidade e captarem a alma carioca.
Depois, houve a preocupação de diversificar o mais possível o tipo de protagonistas que apresentam a cidade para conseguir-se uma leitura completa.
Desde a apresentação do célebre baile de Carnaval do Copacabana Palace, onde a socialite Narcisa Tamborindeguy foi a anfitriã, ao interior da favela
mostrada por um taxista morador.  
O livro é um guia da cidade ou, pelo contrário, foge ao máximo desse tipo de publicações?
O livro tem 50 páginas finais em formato de guia, mas não é um guia comum, é um insider's guide. Quer dizer que contém todas as referências sugeridas
pelos entrevistados. Nestas páginas estão organizadas  as suas dicas concretas: onde almoçar, jantar, o melhor chopp, a melhor roda de samba,a melhor
feijoada, os passeios, as  praias que preferem, os melhores programas culturais, etc.
O livro contém depois um destacável com um mapa e todas estas informações concentradas para levar em viagem.
(chega a almoçar na laje - o telhado de uma barraca - de um dos entrevistados). Como analisa essas diferenças? São dois pontos totalmente
No livro apresenta a elite do Rio (como referiu, passa uma noite de Carnaval no mítico Copacabana Palace, por exemplo), mas também o «povo»
opostos ou há algum elo em comum?
Há um elo comum. O Rio de Janeiro tem uma característica incrível: é uma das cidades mais democráticas que já conheci, no sentido em que a cidade
está aberta a uma grande mistura. Na praia e no Carnaval todos se encontram e é comum ver empresários e socialites da zona sul do Rio ( a zona mais
abastada) a jogarem à bola com rapazes da favela, assim como começa a ser comum ver pessoas da zona sul na favela. Há aliás várias pessoas desta
zona a comprarem «lages» ou a subirem à favela para uma boa feijoada, por exemplo.
Existe, como explica Chico Buarque, uma quase promiscuidade entre as várias classes sociais devido à proximidade e à praia.  
Favela, futebol, carnaval, praia. O Rio é apenas isso?
Geralmente é e todas essas dimensões são indissociáveis do Rio. Seria impossível compreender a cidade sem viver essas realidades, mas há de facto
muito mais por onde explorar.  
Considera que há um Rio ou vários Rios?
Acho que há apenas um Rio, pelas razões que já invoquei atrás.  
O que podemos encontrar no filme que vem com o livro? É algo totalmente distinto do livro?
Não, os dois conteúdos completam-se bastante e vivem por si só. Quem lê o livro e depois vê o documentário é como se mergulhasse dentro do livro, como
se os seus protagonistas ganhassem vida. A ideia de fazer acompanhar este livro de um documentário partiu do facto de eu achar que era um desperdício
não filmar as entrevistas do Chico Buarque, Vik Muniz, Sérgio Rodrigues e por aí fora... Assim fiz-me acompanhar sempre por um fotógrafo e uma equipa
de realização. Foi engraçada a experiência e acho que correu muito bem. A minha passagem pela televisão deixou-me uma herança e uma ligação muito
forte com o registo live on tape. Não há qualquer encenação, nem repetição de cenas, o documentário segue o ritmo com que as coisas se passaram no
momento, tudo é espontâneo e real, como uma reportagem.  
Qual o próximo «Show me…» a ser editado?
Lisboa. Tinha que ser! Lisboa é uma cidade absolutamente fascinante, cheia de segredos, recantos, e histórias para serem desvendadas. Já comecei a
gravar e espero conseguir transmitir toda a alma da cidade onde vivo.
Diário Digital, 19 de Julho de 2013

Rio de Janeiro em carioquês - Livro & DVD
Sempre gostei de conhecer novas cidades guiadas por amigos que vivem nelas. Show me Rio é isso. É a cidade do Rio de Janeiro revelada por quem nasceu lá ou a conhece muito bem. Não é só um livro de edição luxuosa , fotografias belíssimas de José Pedro Monteiro e Márcio Mercante e textos de Rita Sousa Tavares (em "carioquês" como diz ela), é também um documentário (realizado em parceria com José Maria Cyrne) que nos faz descobrir ou regressar aos lugares e sons da cidade brasileira. Ler mais

Há cidades que não podem ser apresentadas sem as suas pessoas. Um catálogo de imagens e fotografias estáticas de locais e espaços, com uma legenda descritiva em baixo, simplesmente não permite captar a sua vibração.
O Rio de Janeiro é uma dessas cidades. É muito mais do que a imagem do Pão de Açúcar, da Baía de Guanabara ou a fachada do Copacabana Palace. É uma enorme e maravilhosa tela viva.

Público, 14 de Julho


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Entre um mergulho no Arpoador e uma feijoada na Rocinha
Para fazer este guia do Rio de Janeiro, Rita Sousa Tavares foi pedir dicas a quem lá mora, famosos como Chico Buarque e Maitê Proença e desconhecidos como o taxista António Rufino. Ler mais

Onde Tomar o melhor chopp do Rio de Janeiro? Pergunte a Guilherme Studart, autor dos guias Rio Botequim. Onde comprar um biquini? Ouça os conselhos da ex-top model Andrea Delal. (...)

Diário de Notícias, 24 de Julho

Show me Rio / Um guia em carioquês
A portuguesa Rita Sousa Tavares juntou cariocas como Chico Buarque e Maitê Proença num guia pouco convencional do Rio de Janeiro. Ler mais

No início de “Show Me Rio”, a autora Rita Sousa Tavares pede desculpa à sua professora da primária pelo “carioquês” do livro. “É contagiante, não há nada a fazer”, escreve a jornalista de 35 anos, natural de Lisboa. (...)

Jornal i, Setembro 2013